Entre os 24 e os 1024 meses

Entre os 24 e os 1024 meses

A Terapia da Fala abrange uma larga população no que diz respeito a faixas etárias! Cada vez mais é reconhecida esta amplitude temporal na atuação do Terapeuta da Fala, uma vez que a intervenção precoce é essencial para a otimização do desenvolvimento da criança assim que é detetada alguma dificuldade. A verdade é que pode ser pertinente a atuação do Terapeuta da Fala desde o nascimento, havendo já colegas a atuar na neonatologia. Em contraste, com o envelhecimento da população, surgem também algumas dificuldades, ao nível da comunicação, linguagem e deglutição em que o Terapeuta da Fala pode ter um papel muito importante para a qualidade de vida  da pessoa.
Trabalho atualmente num contexto com pessoas numa faixa etária tão variada que me arrisco a dizer que entre a mais nova e a mais velha distam cerca de 1000 meses. Adequar-me  a características tão dispares e a necessidades diferentes é um desafio diário que exige muito empenho, estudo e responsabilidade. Mas é também reconfortante quando aos 1024 meses oiço uma utente a dizer “ainda não tive nenhum cão!” mostrando de uma forma tão simples que, por mais dificuldades que surjam, os sonhos permanecem.
Mudança de hábitos para uma voz melhor

Mudança de hábitos para uma voz melhor

A qualidade da nossa voz é influenciada positiva e negativamente por diferentes hábitos. A consciencialização dos comportamentos benéficos e prejudiciais à laringe é essencial para uma melhoria na qualidade vocal. Ou seja, a pessoa tem de saber quais são os comportamentos que protegem a sua voz e quais são os comportamentos que a danificam, precisando para isso de rastrear os usos e abusos vocais. De seguida são apresentados alguns destes comportamentos:  

Hábitos prejudiciais 

  • Falar em esforço (falar alto, gritar, falar enquanto se pratica exercício físico)  
  • Pigarrear 
  • Falar em excesso 
  • Falar num tom desadequado 
  • Fumar 
  • Beber álcool 
  • Falar em demasia em quadros gripais  
  • Beber líquidos muito frios ou muito quentes 
  • Cantar sem preparação adequada 
  • Não beber água 

Além da consciencialização destes hábitos vocais, que se configuram como abusos, é essencial que os mesmos sejam mudados.  Tomemos como exemplo a altura em que fazemos dieta para emagrecer. Quando fazemos dieta, e retiramos aqueles alimentos que consideramos prejudiciais, até podemos emagrecer temporariamente, mas se depois os retomarmos, é muito provável que os quilos perdidos tornem a aparecer. Comparativamente, se após a terapia mantivermos os abusos vocais é mais provável que ocorra uma recidiva. Numa dieta, tem de haver uma mudança na forma como nos alimentamos, pelo que também na voz devemos adotar comportamentos que perdurem e que protejam a voz.  

Para isso, temos de estudar os nossos hábitos vocais, de perceber em que altura recorremos a eles e que alternativas podem resultar connosco. Por exemplo, em sala de aula, quando surgir a necessidade de chamar a atenção dos alunos, em vez de gritarmos, experimentamos bater palmas.  Se temos consciência que bebemos pouca água, essencial para as cordas vocais, procuremos ter sempre uma garrafa de água acessível durante o dia.  

Não basta identificar os comportamentos prejudiciais à voz. Para uma melhoria efetiva na qualidade vocal tem de haver uma mudança comportamental. O Terapeuta da Fala pode ajudar a desenvolver estratégias que promovam essa mudança!

“Mise en place” da Terapia da Fala

“Mise en place” da Terapia da Fala

Recentemente, e por mero acaso, tive acesso a um conceito usado por cozinheiro, o “mise en place”, que significa “pôr em ordem”. De acordo com o que encontrei sobre este conceito, antes de qualquer ação dentro de uma cozinha, o cozinheiro deve não só ter em mente o que vai fazer, como o que irá fazer, o estado dos equipamentos, os utensílios necessários e os ingredientes preparados. Este é um momento importante na definição de um bom cozinheiro.  

Da mesma forma, acredito que a atuação do Terapeuta da Fala vai muito além do trabalho realizado em sessão e seja sempre necessário o seu próprio “mise en place”. Antes de cada sessão, o Terapeuta da Fala precisa de definir o que vai trabalhar na sessão, os objetivos e as atividades associadas aos mesmos, de preparar essa mesma sessão, em termos de materiais, e de adequar a sala sempre que for necessário. Este é um trabalho que pode passar despercebido mas que é essencial para o sucesso da intervenção terapêutica, pelo que deve ser devidamente considerado em horário de trabalho. Quando tal não é possível a intervenção torna-se mais difícil, mais morosa com prejuízos para o próprio utente.  

Mitos em Terapia da Fala -nº8

Mitos em Terapia da Fala -nº8

Mito nº8: “Ele tem tempo de aprender a falar corretamente até entrar na escola!”

A intervenção precoce é importante para colmatar desde cedo problemas existentes. Além disso, iniciar a escolaridade com lacunas ao nível da articulação e linguagem torna muito mais difícil a aquisição da leitura e escrita, com prejuízos evidentes na aprendizagem.

 

 

O seu filho está a fazer Terapia da Fala? – 6 dicas para si!

O seu filho está a fazer Terapia da Fala? – 6 dicas para si!

Na intervenção terapêutica é comum solicitar aos pais que dêem algum apoio ao trabalho que é feito em sessão. Ou seja, é pedido que eles treinem com as crianças as competências que estão a ser trabalhadas e adquiridas. Com certeza que ninguém faz nem se lembra de fazer isso o  dia todo. Também não é isso que queremos!

 

“Terapeuta, esta semana não houve tempo para treinar… Terapeuta, ele já não quer fazer os trabalhos em casa…  “ são algumas das frases que vamos ouvindo. Tornar a Terapia um sacrifício para as crianças não é de todo o pretendido!

Assim, deixo algumas dicas para os pais fazerem este trabalho, para evitar que as crianças saturem e para tornar o processo terapêutico mais rápido e eficaz.

  • Criar o hábito de treinar todos os dias 10 minutos –é importante ter a preocupação de treinar todos os dias um bocadinho. É mais vantajoso treinar todos os dias 10 minutos do que treinar só um dia por semana 60 minutos.
  • Escolher um momento concreto do dia para o treino –pode ser a viagem para a escola, o momento do lanche, os minutos à espera do autocarro, o tempo do banho, . A família saberá qual o melhor momento do seu dia!
  • Envolver os membros da família – não tem de ser sempre a mãe ou o pai a fazer os exercícios com a criança. Há sempre uma avó ou avó, um primo, uma amiga, um irmão, alguém que tem tempo e gosto em colaborar!
  • Selecionar palavras ou frases que a criança diz com frequência para o treino – a seleção do vocabulário tem influência nos resultados e na funcionalidade. Com certeza que a criança estará mais motivada para dizer bem o nome de amigos, do avô, do animal de estimação, dos desenhos animados favoritos, entre tantas outras possibilidades.
  • Brincar com as palavras – É essencial que a criança se divirta! Assim, explorar as palavras treinadas, fazer frases engraçadas, às vezes até absurdas, arranca muitas gargalhadas e aumenta a motivação! Além disso, permite o desenvolvimento semântico.
  • Reforçar quando a criança diz bem –é importante dar o modelo correto à criança quando ela se engana, mas é muito mais eficaz reforçar, parabenizar e elogiar a criança quando ela já está a conseguir fazer bem os exercícios ou quando o fonema que está a ser trabalhado aparece no discurso espontâneo.

 

 

E vocês, que sugestões têm?

 

Sara Castilho