Terapia da Fala online? Testemunho

Terapia da Fala online? Testemunho

É para mim um grande orgulho poder transmitir o testemunho abaixo de um projeto-teste de modelo de prestação de serviço de Terapia da Fala que pode chegar a mais pessoas, mais facilmente, para melhor conciliar a rotina do dia-a-dia com as sessões de Terapia da Fala Online. (mais…)

“Aprender a ler transforma vidas”

“Aprender a ler transforma vidas”

“Aprender a ler transforma vidas” foi a primeira frase que li do artigo em referência. Talvez pareça uma frase simples, banal, para o nosso dia-a-dia, para as nossas rotinas banais, mas não é nada banal para as nossas crianças e adultos que têm dificuldades de leitura e escrita.
A iliteracia tem um custo anual global direto muito elevado (+ de 1 trilião de dólares), ao qual acrescem os custos indiretos por dificuldade no acesso a informações sobre higiene, alimentação e segurança (Castles, A., Rastle, K. & Nation, K. (2018), porque ler não é só juntar as letras, implica também compreender o que é lido.
Quando as nossas crianças têm dificuldades e não são apoiadas de forma adequada, o impacto é muito maior do que uma “simples” retenção. Há um impacto na aprendizagem claro, mas há também um impacto no desenvolvimento emocional e social  pois é uma criança que pode ganhar aversão a tarefas de leitura e escrita (ou seja, aversão a grande parte das tarefas escolares), e assim desenvolver frustração, ansiedade e baixa auto-estima. É uma criança que pode não reconhecer as suas competências em outras áreas como nas artes visuais e que abdica de formações superiores…
Além disso, quando os apoios necessários não são reconhecidos as crianças não atingem o potencial que poderiam atingir e isso pode ter impacto direto no seu futuro. Todos devemos ter o direito a atingir o nosso potencial.
Eu oiço muitas vezes como justificação para a não necessidade de Terapia “o pai também era assim mas depois aprendeu a falar”. E o seu percurso escolar? As suas aquisições? o que atingiu? Seria este mais um motivo para querer facultar ao filho mais oportunidades.
Não é porque é hereditário que não se deve intervir, pelo contrário!
Até quando é que vamos permitir que algumas crianças/pessoas não tenham direito aos apoios que as beneficiam para que consigam “transformar a sua vida”?
Castles, A., Rastle, K. & Nation, K. (2018) Ending the reading wars: Reading acquisition from novice to expert. Psychological Science in the Public Interest. Vol 19(1). 5-51.
Processamento auditivo?  ãh?

Processamento auditivo? ãh?

Fiz recentemente um curso de Processamento Auditivo. Gostei imenso do curso e aprendi muito mas, de forma muito simplista, cheguei à conclusão que em Portugal a avaliação auditiva nem sempre é exaustiva nas competências auditivas. (mais…)

Se já come pela boca, porque é que ainda tem sonda nasogástrica? -Disfagia

No meu dia-a-dia de trabalho esta é uma questão frequente. Trabalho com pessoas com patologias neurológicas, pelo que são recorrentes as pessoas com disfagia.  

A disfagia é uma alteração da deglutição, em que pode haver entrada de alimentos na via aérea, com consequências ao nível da saúde pulmonar. A pessoa com disfagia pode ter engasgos durante a refeição, dificuldade em engolir sólidos ou líquidos, sensação de que os alimentos ficam presos na garganta entre outros sintomas (Branco & Pontinha, 2017).  

Além da saúde pulmonar, a disfagia compromete a nutrição e a hidratação e nem sempre as pessoas estão despertas para a gravidade destas consequências. O engasgamento é o mais visível, a pneumonia é o que mais preocupa, mas também temos de considerar a importância da desnutrição e desidratação.  

A desnutrição, por redução ou restrição da ingestão alimentar pode levar à redução da massa muscular, alterar a atividade enzimáticas das fibras musculares e levar a acumulo intracelular de cálcio, com prejuízos da contração muscular. Além disso, pode levar a uma depressão do sistema imunitário, tornando a pessoa mais suscetível a infeções (Branco & Pontinha, 2017).  

A desidratação provoca também a diminuição do fluxo salivar, levando à colonização alterada da orofaringe, letargia aumentando o risco de aspiração e depressão do sistema imunitário (Branco & Pontinha, 2017).  

Temos de considerar que uma pessoa com disfagia está normalmente a recuperar de uma condição clínica adversa, como um AVC e que esta condição se não for devidamente acompanhada pode dificultar a sua recuperação.  

Assim, com esta explicação, percebe-se que nem sempre é realista hidratar uma pessoa com água espessada em consistência pudim ou mel, podendo haver necessidade de manter a sonda nasogástrica par os líquidos.  

Além disso, quando uma pessoa tem sonda durante algum tempo, necessita de uma fase de transição para a alimentação via oral. O mecanismo da deglutição envolve músculos e se estes não estiveram a ser utilizados estarão mais fracos, pelo que necessitam de ser trabalhados. Não conheço ninguém que tenha partido uma perna e tenha feito uma maratona de 10Km após tirar o gesso. Tudo tem o seu tempo.  

Se tiverem estas dúvidas procurem falar com um Terapeuta da Fala que ele saberá esclarecer-vos. Qualquer coisa, contactem-me que eu procurarei esclarecer-vos.  

 

 

Referências: 

Branco, C; Portinha, S. (2017). Disfagia no adulto. Lisboa: Papa-Letras.