“Fez-se luz” -dificuldades de resolução temporal e sons “l” e “r”

“Fez-se luz” -dificuldades de resolução temporal e sons “l” e “r”

O Praat tem sido a minha companhia diária nos últimos tempos e tem-me ensinado muitas coisas e hoje trago-vos um momento “fez-se luz!”

Quando tirei a formação de processamento auditivo foi referido que crianças com dificuldades de resolução temporal, a habilidade responsável pela deteção de intervalos de tempo entre diferentes estímulos sonoros (Santos, Parreira, & Leite, 2010),  podem ter dificuldade em produzir os sons “l” e “r”(4) porque são sons mais curtos, mas não tinha a perceção do quão curtos eram.

Fico fascinada quando vejo que conseguimos detetar estas diferenças ao nível minucioso. No exemplo acima, no espectrograma da palavra “hora”, o “O” e o “a”(6) têm uma duração de aproximadamente 200 milissegundos, enquanto o “r”(4) tem uma duração de 43 milissegundos. Estão a ver o nível de precisão? E o quão difícil é para uma criança com dificuldades de resolução temporal perceber esta mudança? E o quão curto é o fonema “r” (4)?

A produção e perceção de fala são para mim cada vez mais interessantes.

 

 

Referência bibliográfica:

Santos, J. L. F. dos, Parreira, L. M. M. V., & Leite, R. de C. D. (2010). Habilidades de ordenação e resolução temporal em crianças com desvio fonológico. Revista CEFAC, 12(3), 371–376. https://doi.org/10.1590/s1516-18462010005000026

Precisas da tua voz para uma maratona ou para um sprint?

Precisas da tua voz para uma maratona ou para um sprint?

Uma pessoa que usa a voz para falar o dia todo tem necessidades diferentes de uma pessoa que, mesmo necessitando de boa qualidade vocal, não tem um uso tão continuado. Por exemplo, um formador que dá formação durante o dia todo tem uma exigência vocal grande quanto à resistência enquanto uma pessoa em atendimento ao público (dependendo do contexto) já poderá ter uma exigência menor.  

Para facilitar a compreensão eu costumo dizer que um atleta que corre 100 m tem exigências e treino diferente de um atleta que faz uma maratona de 42 Km. Ambos precisam de treinar a sua condição física, mas com objetivos muito diferentes. Na voz acontece o mesmo pelo que é extremamente importante conhecer as exigências vocais da pessoa. Só desta forma, em conjunto com toda a sua história clínica e avaliação é que os exercícios vocais são selecionados para estarem devidamente adaptados aos diferentes objetivos.  Da mesma forma, para conseguirem atingir os seus objetivos, os atletas fazem treinos regulares e continuados, pelo que a otimização da voz e qualidade vocal também implica que a pessoa adquira novos hábitos e que cumpra o seu “treino”!

Aristóteles disse “nós somos o que fazemos repetidamente. A excelência não é um ato, é um hábito” e com bons hábitos e treino adequado a tua voz pode chegar à excelência!

 

 

Somos todos profissionais da voz?

Somos todos profissionais da voz?

No imediato, quando pensamos em profissionais da voz lembramo-nos facilmente de cantores e atores, mas também professores e jornalistas. Concordam? Estes profissionais, ainda que com exigências vocais diferentes, dependem da sua voz no exercício da sua profissão e são por isso “profissionais da voz”. 

Mas há muitos mais “profissionais da voz”, pessoas com profissões que dependem da voz no exercício das suas funções como operadores de call center, vendedores, profissionais de saúde, entre outros.  

A voz é utilizada no dia-a-dia por quase todos nós, pelo que a perda de voz, ainda que transitória, acarreta alguns incómodos na nossa comunicação e atividades diárias.   

Uma perturbação da qualidade vocal destes profissionais pode ter consequências diretas na sua profissão, comprometendo o exercício da mesma, pelo que é importante que tenham consciência das exigências para a sua voz e a saibam usar da forma mais eficiente e sem prejuízos para a qualidade vocal. 

Se acham que vossa voz não corresponde às vossas necessidades, tendo dificuldade em cantar, cansando-se facilmente a falar, ficando rouco com facilidade e de forma persistente pode estar na altura de procurar um profissional (ou profissionais)  que vos possa orientar para melhorar a vossa voz!  

 

A importância de melhorar a comunicação

A importância de melhorar a comunicação

 

A voz trémula, o olhar esquivo, os ombros curvados, as mãos irrequietas e o coração acelerado são alguns dos sintomas de quando fazemos apresentações em público. 

O conteúdo cuidadosamente preparado, sem muito texto no PowerPoint, com uma organização clara e sem repetição de palavras não são suficientes para relaxarmos e nos divertirmos e o nosso corpo denuncia-nos. A postura baixa e a voz fugidia descredibilizam a nossa mensagem. As mãos irrequietas, sempre a ajeitar o cabelo distraem quem assiste e o conteúdo essencial não é transmitido como queríamos. O nosso corpo não esconde o desconforto.  

 

Mas não precisa de ser assim.  

 

Melhorar as competências de comunicação é um objetivo que tenho procurado desenvolver nos últimos tempos. Tenho para isso procurado informações, formações e práticas que me permitam melhorar. 

Esta procura tem-me feito perceber melhor o impacto da comunicação e da forma como chegamos às pessoas através da nossa mensagem. Isso é muito poderoso e por isso tem de ser feito com o devido cuidado para que a mensagem que as pessoas recebem esteja de acordo com o que pretendemos transmitir. Comunicar é algo que fazemos todos os dias, mas será que o conseguimos fazer da forma mais eficaz? 

Falar com naturalidade, expressividade e entoação adequadas, demonstrando segurança e equilíbrio é importante nas diversas situações do dia-a-dia, tanto no contexto pessoal como no contexto profissional. Em geral, este é um objetivo de toda a gente, pois falar em público, fazer uma apresentação, ir a uma entrevista de emprego são todas situações em que somos avaliados pelas nossas competências de comunicação.  

Como Terapeuta da Fala trabalho com a comunicação, mas este trabalho pode ir além das perturbações de comunicação. Os Terapeutas da Fala têm competências teóricas e técnicas que permitem atuar no aperfeiçoamento de competências vocais e articulatórias, por exemplo, para que as pessoas possam estabelecer uma comunicação mais clara, com velocidade adequada e precisão articulatória, de acordo com as necessidades específicas e com as características da própria pessoa.  

Este é um tema que me tem suscitado muito interesse por perceber que a forma como me coloco em termos de comunicação impacta a perceção do outro sobre mim, a minha postura denuncia a minha confiança, a minha qualidade vocal o meu entusiasmo, a minha linguagem corporal reforça a mensagem.  

Vocês querem mais dicas de como melhorar estas competências? 

 

Cada criança aprende no seu ritmo?

Cada criança aprende no seu ritmo?

Assistir ao desenvolvimento de uma criança, verificar as pequenas aquisições, por vezes de um dia para o outro, é um fenómeno muito interessante. Nesta aquisição de competências, cada criança tem o seu ritmo. Ou seja, há crianças que atingem determinadas etapas linguísticas mais cedo e outras mais tarde, sem que daí advenham consequências. Contudo, apesar de termos de ter em atenção a diversidade, a aquisição de sons da fala, por exemplo, desenvolve-se em momentos relativamente previsíveis (McLaughlin, 2006). Ou seja, uma criança que diz a primeira palavra aos 10 ou aos 14 meses está dentro do intervalo esperado. Se a criança só diz a primeira palavra aos 2 anos é importante avaliar para excluir uma alteração. Se eu quiser ir do Porto para Lisboa de carro posso fazer inúmeras estradas, demorar mais ou menos tempo, entre nacionais e auto-estrada. Mas se eu demorar 24 horas entre o Porto e Lisboa alguma coisa poderia ser feita de forma diferente.
Além disso, ainda no que diz respeito à linguagem, há um intervalo de tempo em que as aquisições são mais fáceis, uma “janela de oportunidade”. Fora desse período as aquisições linguísticas são mais difíceis.
Deste modo, é muito importante respeitar o tempo de cada criança, mas ter a noção que, quando as aquisições não ocorrem no momento correto, tanto na linguagem, como no desenvolvimento da autonomia, emocional e social, (pois o desenvolvimento ocorre como um todo), as dificuldades podem surgir posteriormente e ser mais difícil de as corrigir.
Na linguagem, em concreto, crianças que começam a falar tardiamente têm maior probabilidade de ter dificuldades na aquisição da leitura e escrita e consequentemente dificuldades de aprendizagem. Iniciar a escolaridade com alterações articulatórias e de linguagem é, deste modo, como tentar ir fazer uma maratona com uma perna partida, mais difícil! Por isso, se tem algum dúvida consulte um Terapeuta da Fala!
Referência bibliográfica:
McLaughlin, S. (2006). Introduction to Language Development. Cengage Learning.
6 Dicas para ser melhor comunicador em apresentações

6 Dicas para ser melhor comunicador em apresentações

Além de Terapeuta da Fala, sou um membro Toastmaster, organização vocacionada à aprendizagem contínua das competências de comunicação e de liderança. 

Da minha experiência pessoal como Toastmaster e profissional como Terapeuta da Fala, deixo-vos hoje algumas dicas para melhorarem as vossas apresentações em público:

1- Preparem as vossas apresentações – Quando nos apresentamos em público temos de ir devidamente preparados. Para o sucesso da apresentação, é importante estruturar bem o conteúdo, com uma boa pesquisa, fazer uma introdução que cative a audiência desde o primeiro momento, enfatizar palavras-chave da nossa mensagem, etc.

2 – Definam o objetivo principal da apresentação – Uma apresentação tem sempre uma mensagem associada. Qual a mensagem principal que querem deixar? O que querem que as pessoas memorizem da vossa apresentação? É exatamente essa mensagem que precisa de ser reforçada. 

3 – Imprimam emoção – A emoção ajuda a aprendizagem. E para isso ajuda fazermos uma apresentação dinâmica, em que demonstremos o que acreditamos e façamos com que as pessoas se divirtam, quer com um toque de humor, quer com histórias reais, exemplos, metáforas, tudo o que suporte a mensagem que pretendem passar. 

4 – Conheçam o vosso estilo de comunicação –Todos nós temos ídolos, pessoas que são para nós modelos. Contudo, é importante conhecermo-nos para percebermos qual a melhor forma de preparar uma apresentação. Será que escrever e memorizar tudo o que vamos dizer resulta? Ou entamos mais confortáveis em memorizar ideias-chave? Usamos o humor ou factos históricos para reforçar a nossa mensagem? O que é mais natural para nós? E o que resulta melhor para a audiência? 

Para que isto seja possível temos de nos testar, expor e refletir sobre cada prestação para podermos melhorar. 

5 – Pensar não só no conteúdo mas também na forma – Na generalidade, há uma grande preocupação com o conteúdo de uma apresentação. O que vamos dizer é muito importante. Mas é igualmente importante a forma como o vamos dizer, para que a mensagem seja transmitida de forma mais eficaz. Se dissermos “é muito importante agir!”, com uma voz monótona, com linguagem corporal fechada não transmitimos veracidade.  Pelo contrário, se falarmos com confiança, com uma postura corporal aberta e com uma boa colocação vocal conseguimos ter um impacto mais positivo na audiência. Por exemplo, para uma boa projeção vocal podemos tentar focarmos na pessoa que está mais longe na sala e pensarmos que esta pessoa tem de ouvir o que estamos a dizer. Desta forma obrigamo-nos a falar com uma intensidade que se adeque a toda a audiência e quando isto acontece, transmitimos maior confiança.

6 – Treinem! Treinem! Treinem! Falar em público é um dos receios mais comuns. As pessoas tendem também a acreditar que quem faz uma boa apresentação tem um talento natural. Mas isso não é verdade. Não conheço nenhum “talento” que não tenha muito trabalho e esforço associado.  Para fazermos este treino, podemos pedir que a família e amigos oiçam a nossa apresentação ou até gravarmos para depois analisarmos.

Comunicar é uma atividade diária e por isso todos nós temos potencial!

Que outras dicas sugerem mais?

Se tiverem curiosidade sobre os Toastmasters consultem os links abaixo ou perguntem-me!

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