Assistir ao desenvolvimento de uma criança, verificar as pequenas aquisições, por vezes de um dia para o outro, é um fenómeno muito interessante. Nesta aquisição de competências, cada criança tem o seu ritmo. Ou seja, há crianças que atingem determinadas etapas linguísticas mais cedo e outras mais tarde, sem que daí advenham consequências. Contudo, apesar de termos de ter em atenção a diversidade, a aquisição de sons da fala, por exemplo, desenvolve-se em momentos relativamente previsíveis (McLaughlin, 2006). Ou seja, uma criança que diz a primeira palavra aos 10 ou aos 14 meses está dentro do intervalo esperado. Se a criança só diz a primeira palavra aos 2 anos é importante avaliar para excluir uma alteração. Se eu quiser ir do Porto para Lisboa de carro posso fazer inúmeras estradas, demorar mais ou menos tempo, entre nacionais e auto-estrada. Mas se eu demorar 24 horas entre o Porto e Lisboa alguma coisa poderia ser feita de forma diferente.
Além disso, ainda no que diz respeito à linguagem, há um intervalo de tempo em que as aquisições são mais fáceis, uma “janela de oportunidade”. Fora desse período as aquisições linguísticas são mais difíceis.
Deste modo, é muito importante respeitar o tempo de cada criança, mas ter a noção que, quando as aquisições não ocorrem no momento correto, tanto na linguagem, como no desenvolvimento da autonomia, emocional e social, (pois o desenvolvimento ocorre como um todo), as dificuldades podem surgir posteriormente e ser mais difícil de as corrigir.
Na linguagem, em concreto, crianças que começam a falar tardiamente têm maior probabilidade de ter dificuldades na aquisição da leitura e escrita e consequentemente dificuldades de aprendizagem. Iniciar a escolaridade com alterações articulatórias e de linguagem é, deste modo, como tentar ir fazer uma maratona com uma perna partida, mais difícil! Por isso, se tem algum dúvida consulte um Terapeuta da Fala!
Referência bibliográfica:
McLaughlin, S. (2006). Introduction to Language Development. Cengage Learning.