Definição de perturbação específica de linguagem
A realidade escolar evidencia, muitas vezes, crianças com dificuldades ao nível do desenvolvimento da linguagem. Uma das perturbações que estas crianças podem ter é a perturbação específica de linguagem. Esta diz respeito a uma aquisição da compreensão ou expressão da linguagem falada ou escrita diferente do tipicamente observado, com ausência de outras alterações ou condições que a justifiquem (1;2). Considera-se que algumas crianças com esta perturbação podem também ter dificuldades subtis ao nível da cognição, da perceção auditiva, memória e sequenciação (2). Pode afetar todos, um ou alguns dos componentes fonológico, morfológico, semântico, sintático ou pragmático do sistema linguístico (1).
A etiologia desta perturbação não é clara e explícita. Deste modo, a maioria dos investigadores concorda com uma etiologia multifatorial, com componentes genética e ambiental (2). No geral, esta perturbação tem manifestações muito heterogéneas, afetando os níveis de linguagem de forma muito diversificada, pelo que, cada criança irá apresentar competências e dificuldades particulares, bem como respostas muito diferentes à intervenção (1). São caraterizadas por um desenvolvimento de linguagem tardio e alterado, verificando-se dificuldades em usar formas gramaticais correctas, recorrência de processos fonológicos, vocabulário abaixo do esperado para a idade e pouca iniciativa comunicativa (3).
Esta perturbação dificulta a comunicação, pois, tipicamente, estas crianças apresentam muitas dificuldades na aquisição de novos conceitos, na expressão de desejos, sentimentos e opiniões que vão influenciar todos os processos comunicativos em que participa. Consequentemente, a forma como estas crianças se relacionam com o meio (familiar, social, escolar) envolvente é influenciada negativamente. Estas crianças experienciam frequentemente elevados níveis de frustração, auto-estima perturbada e com dificuldades aos nível da participação social (3). De facto, as competências dos indivíduos com esta perturbação vão evoluindo com o decorrer do desenvolvimento. Crianças no pré-escolar podem ter dificuldade em compreender a fala e em se expressar, o que dificulta o início e a manutenção de uma conversação, demonstrando, por vezes, ecolália. Estas dificuldades podem manter-se na idade escolar, às quais são adicionadas dificuldades ao nível da leitura e escrita, da compreensão de conceitos abstractos e das dificuldades em fazer uma narrativa coerente (4).
O Terapeuta da Fala tem um papel importante no tratamento desta perturbação, com uma avaliação que permita compreender as competências comunicativas e linguísticas de cada indivíduo e com uma intervenção cujos objectivos vão ao encontro das necessidades comunicativas e linguísticas, com impacto a nível social, educacional, emocional, entre outros (4).
Fontes:
1 – Lara, E. M. (2001). Trastorno Específico del Lenguaje (TEL). Madrid: Psicología Pirámide.
2 – Fogle, P. (2008). Foundations of Communication Sciences & Disorders. USA: Delmar Learning;
3- Hincapié, L., Giraldo, M., Castro, R., Lopera, F., Pineda, D., & Lopera, E. (2007). Propriedades lingüísticas de los transtornos del desarrollo de lenguaje. Revista Latinoamericana de Psicología , 39 (1), pp. 47-61. Retirado de: http://www.scielo.org.co/pdf/rlps/v39n1/v39n1a04.pdf.
4- Irish Association o f Speech and Language Therapists [I.A.S.L.T.]. (2007). Specific Speech and Language Impairment in Children: Definition, Service Provision and Recommendations. Retirado de:
http://www.iaslt.ie/docs/public/exec/IASLT%20SSLI%20Position%20Paper%20Oct%202007.pdf.