Mudança de hábitos para uma voz melhor

Mudança de hábitos para uma voz melhor

A qualidade da nossa voz é influenciada positiva e negativamente por diferentes hábitos. A consciencialização dos comportamentos benéficos e prejudiciais à laringe é essencial para uma melhoria na qualidade vocal. Ou seja, a pessoa tem de saber quais são os comportamentos que protegem a sua voz e quais são os comportamentos que a danificam, precisando para isso de rastrear os usos e abusos vocais. De seguida são apresentados alguns destes comportamentos:  

Hábitos prejudiciais 

  • Falar em esforço (falar alto, gritar, falar enquanto se pratica exercício físico)  
  • Pigarrear 
  • Falar em excesso 
  • Falar num tom desadequado 
  • Fumar 
  • Beber álcool 
  • Falar em demasia em quadros gripais  
  • Beber líquidos muito frios ou muito quentes 
  • Cantar sem preparação adequada 
  • Não beber água 

Além da consciencialização destes hábitos vocais, que se configuram como abusos, é essencial que os mesmos sejam mudados.  Tomemos como exemplo a altura em que fazemos dieta para emagrecer. Quando fazemos dieta, e retiramos aqueles alimentos que consideramos prejudiciais, até podemos emagrecer temporariamente, mas se depois os retomarmos, é muito provável que os quilos perdidos tornem a aparecer. Comparativamente, se após a terapia mantivermos os abusos vocais é mais provável que ocorra uma recidiva. Numa dieta, tem de haver uma mudança na forma como nos alimentamos, pelo que também na voz devemos adotar comportamentos que perdurem e que protejam a voz.  

Para isso, temos de estudar os nossos hábitos vocais, de perceber em que altura recorremos a eles e que alternativas podem resultar connosco. Por exemplo, em sala de aula, quando surgir a necessidade de chamar a atenção dos alunos, em vez de gritarmos, experimentamos bater palmas.  Se temos consciência que bebemos pouca água, essencial para as cordas vocais, procuremos ter sempre uma garrafa de água acessível durante o dia.  

Não basta identificar os comportamentos prejudiciais à voz. Para uma melhoria efetiva na qualidade vocal tem de haver uma mudança comportamental. O Terapeuta da Fala pode ajudar a desenvolver estratégias que promovam essa mudança!

“Mise en place” da Terapia da Fala

“Mise en place” da Terapia da Fala

Recentemente, e por mero acaso, tive acesso a um conceito usado por cozinheiro, o “mise en place”, que significa “pôr em ordem”. De acordo com o que encontrei sobre este conceito, antes de qualquer ação dentro de uma cozinha, o cozinheiro deve não só ter em mente o que vai fazer, como o que irá fazer, o estado dos equipamentos, os utensílios necessários e os ingredientes preparados. Este é um momento importante na definição de um bom cozinheiro.  

Da mesma forma, acredito que a atuação do Terapeuta da Fala vai muito além do trabalho realizado em sessão e seja sempre necessário o seu próprio “mise en place”. Antes de cada sessão, o Terapeuta da Fala precisa de definir o que vai trabalhar na sessão, os objetivos e as atividades associadas aos mesmos, de preparar essa mesma sessão, em termos de materiais, e de adequar a sala sempre que for necessário. Este é um trabalho que pode passar despercebido mas que é essencial para o sucesso da intervenção terapêutica, pelo que deve ser devidamente considerado em horário de trabalho. Quando tal não é possível a intervenção torna-se mais difícil, mais morosa com prejuízos para o próprio utente.  

Ano novo vida nova!

Ano novo vida nova!

Um ano novo dá-nos sempre a sensação de recomeço, de novas oportunidades. Estes desejos de mudança estendem-se naturalmente ao meu blog. Após algum tempo, está na hora de lhe dar mais uma oportunidade e continuar a melhorá-lo. Esta paragem foi sobretudo uma mudança profissional que me tem desafiado muito e enriquecido. Espero partilhar mais coisas com vocês em breve!

Bom ano, bons recomeços!

Cada criança aprende no seu ritmo?

Cada criança aprende no seu ritmo?

Assistir ao desenvolvimento de uma criança, verificar as pequenas aquisições, por vezes de um dia para o outro, é um fenómeno muito interessante. Nesta aquisição de competências, cada criança tem o seu ritmo. Ou seja, há crianças que atingem determinadas etapas linguísticas mais cedo e outras mais tarde, sem que daí advenham consequências. Contudo, apesar de termos de ter em atenção a diversidade, a aquisição de sons da fala, por exemplo, desenvolve-se em momentos relativamente previsíveis (McLaughlin, 2006). Ou seja, uma criança que diz a primeira palavra aos 10 ou aos 14 meses está dentro do intervalo esperado. Se a criança só diz a primeira palavra aos 2 anos é importante avaliar para excluir uma alteração. Se eu quiser ir do Porto para Lisboa de carro posso fazer inúmeras estradas, demorar mais ou menos tempo, entre nacionais e auto-estrada. Mas se eu demorar 24 horas entre o Porto e Lisboa alguma coisa poderia ser feita de forma diferente.
Além disso, ainda no que diz respeito à linguagem, há um intervalo de tempo em que as aquisições são mais fáceis, uma “janela de oportunidade”. Fora desse período as aquisições linguísticas são mais difíceis.
Deste modo, é muito importante respeitar o tempo de cada criança, mas ter a noção que, quando as aquisições não ocorrem no momento correto, tanto na linguagem, como no desenvolvimento da autonomia, emocional e social, (pois o desenvolvimento ocorre como um todo), as dificuldades podem surgir posteriormente e ser mais difícil de as corrigir.
Na linguagem, em concreto, crianças que começam a falar tardiamente têm maior probabilidade de ter dificuldades na aquisição da leitura e escrita e consequentemente dificuldades de aprendizagem. Iniciar a escolaridade com alterações articulatórias e de linguagem é, deste modo, como tentar ir fazer uma maratona com uma perna partida, mais difícil! Por isso, se tem algum dúvida consulte um Terapeuta da Fala!
Referência bibliográfica:
McLaughlin, S. (2006). Introduction to Language Development. Cengage Learning.
6 Dicas para ser melhor comunicador em apresentações

6 Dicas para ser melhor comunicador em apresentações

Além de Terapeuta da Fala, sou um membro Toastmaster, organização vocacionada à aprendizagem contínua das competências de comunicação e de liderança. 

Da minha experiência pessoal como Toastmaster e profissional como Terapeuta da Fala, deixo-vos hoje algumas dicas para melhorarem as vossas apresentações em público:

1- Preparem as vossas apresentações – Quando nos apresentamos em público temos de ir devidamente preparados. Para o sucesso da apresentação, é importante estruturar bem o conteúdo, com uma boa pesquisa, fazer uma introdução que cative a audiência desde o primeiro momento, enfatizar palavras-chave da nossa mensagem, etc.

2 – Definam o objetivo principal da apresentação – Uma apresentação tem sempre uma mensagem associada. Qual a mensagem principal que querem deixar? O que querem que as pessoas memorizem da vossa apresentação? É exatamente essa mensagem que precisa de ser reforçada. 

3 – Imprimam emoção – A emoção ajuda a aprendizagem. E para isso ajuda fazermos uma apresentação dinâmica, em que demonstremos o que acreditamos e façamos com que as pessoas se divirtam, quer com um toque de humor, quer com histórias reais, exemplos, metáforas, tudo o que suporte a mensagem que pretendem passar. 

4 – Conheçam o vosso estilo de comunicação –Todos nós temos ídolos, pessoas que são para nós modelos. Contudo, é importante conhecermo-nos para percebermos qual a melhor forma de preparar uma apresentação. Será que escrever e memorizar tudo o que vamos dizer resulta? Ou entamos mais confortáveis em memorizar ideias-chave? Usamos o humor ou factos históricos para reforçar a nossa mensagem? O que é mais natural para nós? E o que resulta melhor para a audiência? 

Para que isto seja possível temos de nos testar, expor e refletir sobre cada prestação para podermos melhorar. 

5 – Pensar não só no conteúdo mas também na forma – Na generalidade, há uma grande preocupação com o conteúdo de uma apresentação. O que vamos dizer é muito importante. Mas é igualmente importante a forma como o vamos dizer, para que a mensagem seja transmitida de forma mais eficaz. Se dissermos “é muito importante agir!”, com uma voz monótona, com linguagem corporal fechada não transmitimos veracidade.  Pelo contrário, se falarmos com confiança, com uma postura corporal aberta e com uma boa colocação vocal conseguimos ter um impacto mais positivo na audiência. Por exemplo, para uma boa projeção vocal podemos tentar focarmos na pessoa que está mais longe na sala e pensarmos que esta pessoa tem de ouvir o que estamos a dizer. Desta forma obrigamo-nos a falar com uma intensidade que se adeque a toda a audiência e quando isto acontece, transmitimos maior confiança.

6 – Treinem! Treinem! Treinem! Falar em público é um dos receios mais comuns. As pessoas tendem também a acreditar que quem faz uma boa apresentação tem um talento natural. Mas isso não é verdade. Não conheço nenhum “talento” que não tenha muito trabalho e esforço associado.  Para fazermos este treino, podemos pedir que a família e amigos oiçam a nossa apresentação ou até gravarmos para depois analisarmos.

Comunicar é uma atividade diária e por isso todos nós temos potencial!

Que outras dicas sugerem mais?

Se tiverem curiosidade sobre os Toastmasters consultem os links abaixo ou perguntem-me!

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