O dia a dia de um Terapeuta da Fala, como o de muitos profissionais na atualidade é agitado, com inúmeras solicitações. O tempo parece sempre pouco para todos os objetivos que pretendemos atingir. Além disso, temos sempre como meta ser o mais eficazes possível.

Deixo-vos algumas dicas:

1- Definir objetivos prioritários -No momento da avaliação, conseguimos logo perceber os objetivos que podem ser trabalhados. Nas sessões queremos sempre trabalhar o máximo de objetivos possível, mas para o sucesso da intervenção é essencial priorizar! Selecionar os objetivos mais importantes para a família, aqueles que têm mais impacto no desenvolvimento e qualidade de vida do utente.

 

2- Envolver a família – A família tem um papel fulcral no sucesso da intervenção e na sua gestão. É importante que eles assumam esse papel e sejam consistentes no dia-a-dia com as orientações dadas em terapia. Os resultados aparecem mais rápido!

Em intervenção precoce a nossa atuação é muitas vezes indireta, trabalhando-se o contexto da criança (família, escola), para que este contexto suporte melhor o desenvolvimento da criança e a mesma consiga ultrapassar as suas dificuldades.

 

3- Manter-se atualizado nas práticas atuais e baseadas na evidência que evidenciam melhores resultados e mais rápidos. As práticas baseadas na evidência indicam-nos as estratégias e técnicas/métodos que têm melhores resultados nos diferentes objetivos. Conhecê-las vai facilitar muito a nossa intervenção!

4-Imprimir todos os materiais que vai usar com a pessoa/criança durante algumas semanas -Após a definição dos objetivos que vão ser trabalhados, conseguimos logo ter perceção das atividades que podemos fazer, fichas que podemos usar, jogos a que podemos recorrer. Juntar algum desse material, imprimir várias das fichas que pretendemos utilizar permite-nos poupar tempo posteriormente.
5-Usar materiais reutilizáveis – Os jogos são um material que podemos utilizar mais do que uma vez. Mesmo aqueles que elaboramos para determinada criança podem ser depois aplicados a outras, consoante os objetivos e criatividade. Além disso, podemos plastificar “fichas” e usá-las depois várias vezes, usando canetas permanente que depois dêem para apagar.
6- Organizar os materiais -Parece lógico, mas ter os materiais organizados, por áreas de linguagem, por fonemas, por objetivos facilita-nos depois o acesso aos mesmos.
7-Ter uma forma de registo durante as sessões, um bloco de notas, um documento word, algo que nos permita anotar no imediato algo que mais tarde podemos não lembrar. Durante as sessões às vezes tenho “pequenas luzes” sobre aspetos que preciso de explorar melhor, ideias para atividades e se não apontar acabo por me esquecer. se me perguntarem o que estou a escrever, digo!
8-Definir templates/modelos de organização de sessões, relatórios e objetivos. Ajudam-nos a não nos esquecermos de nada e facilita o processo de escrita. alem disso, também ajudam a estruturar o pensamento.
9-Ter uma pasta física ou não, para cada utente, um espaço onde estejam reunidas todas as informações sobre o utente. sempre que tenho alguma duvida, torna-se mais rápido aceder as informações que preciso.
10- Aproveitar os tempos entre sessões: algumas vezes há alguns minutos entre uma sessão e outra que nos permitem fazer os últimos registos, pensar em atividades para a próxima sessão, verificar os objetivos ou até descansar 5 minutos (é sempre preciso!).